Soluções em Foco #14: Técnicas de gestão integrada da água

07/06/2024


Atualizado em 07/06/2024  |  por Equipe OICS

Ao longo dos anos, o crescimento urbano no Brasil muitas vezes negligenciou a gestão eficiente das águas, incluindo aquelas destinadas ao consumo, ao esgoto e às águas pluviais. Este descuido resultou em uma série de problemáticas, que vão desde escassez e estresse hídrico, até grandes perdas na rede de distribuição após o tratamento e um aumento na frequência de enchentes devido à falta de áreas verdes e permeáveis. Pensando nisso, foram desenvolvidas diversas técnicas de gestão, proteção e conservação da água que, se integradas ao planejamento urbano, podem assegurar que o consumo siga o ciclo hidrológico natural. 

O conceito de LID (Low Impact Development/Desenvolvimento de Baixo Impacto), por exemplo, visa recuperar as características naturais do ciclo hidrológico, ao mesmo tempo em que valoriza a paisagem urbana. Os SUDS (Sustainable Urban Drainage Systems/Sistemas Sustentáveis de Drenagem Urbana) buscam melhorar o desenho urbano e a gestão de riscos ambientais. Já o WSUD (Water Sensitive Urban Design/Design Urbano Sensível à Água) trabalha para minimizar os impactos da urbanização e aproveitar o potencial da água na vida urbana. As BMP (Best Management Practices/Melhores Práticas de Gestão) incluem ações para reduzir os impactos da urbanização, como melhorar a infiltração da água e a qualidade das águas.

Essas técnicas, quando aplicadas de maneira integrada, são bastante eficazes. Por isso, é importante que sejam implementadas como parte de uma estratégia de planejamento urbano que utilize instrumentos municipais como Planos Diretores, Planos de Saneamento e Planos de Bacia Hidrográfica. A gestão integrada da água deve ser um processo contínuo de melhoria e adaptação, envolvendo diferentes setores e partes interessadas para garantir a sustentabilidade hídrica das cidades. Este processo deve criar sistemas resilientes, capazes de lidar tanto com a escassez de água quanto com eventos de chuvas intensas.

E, apesar de todas dificuldades de implementação dessas técnicas no Brasil, segundo o artigo científico “Motivações e desafios para a implementação da gestão integrada de recursos hídricos em federações: os casos brasileiro e suíço”, escrito pela pesquisadora do Instituto Federal de São Paulo, Graziele Muniz Miranda, a adoção sistemática do modelo de gestão integrada é mais prevalente em países com federações mais centralizadas, como o Brasil, em comparação com países onde os governos subnacionais possuem alta autonomia, estabilidade política e econômica (como é o caso da Suíça). 

Os benefícios de uma gestão integrada da água são muitos. Ela pode reduzir a demanda por água potável, diminuir a geração de esgoto e garantir que ele seja tratado adequadamente antes de ser descartado nos rios e lagos, restaurar o regime natural das bacias hidrográficas e manter corpos d’água limpos. Desse modo, a adoção dessas técnicas não só promove um ambiente urbano mais sustentável e resiliente, mas também contribui para a qualidade de vida da população, preservando os recursos hídricos para as futuras gerações.

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