Artigo Estudos de Caso

Rede de cidades no norte do Paraná - Brasil

Metodologia

Mobilidade

Planejamento integrado de núcleos urbanos interligados por rodovias

Brasil

Paraná(PR)

Metodologia

1. Quanto à estratégia de planejamento à escala territorial: A estruturação da rede de cidades planejadas pela companhia se fez com a ferrovia – sua principal ligação. O percurso traçado para a linha da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná coincide com as linhas naturais de festo, ou seja, com percursos de cumeada, retomando aquela que parece ser a mais antiga estrutura territorial do espaço antrópico. As estradas vicinais que conduziam às propriedades rurais também adotaram esse mesmo posicionamento. Assim, as cidades fundadas pela companhia estão situadas em pontos relevantes da paisagem natural e a ligação entre esses assentamentos urbanos se faz sempre com percursos de cumeada. 2. Quanto à definição do local de implantação dos núcleos urbanos: "As linhas de festo ou de cumeada marcam os limites entre as bacias hidrográficas, dividindo suas águas nas cotas mais altas, enquanto as linhas de talvegue reúnem as cotas mais baixas da drenagem natural. Esses eixos naturais – festos e talvegues – serão os limites das propriedades rurais que a companhia comercializará; riscadas no chão, do ponto alto da cumeada principal ou de suas ramificações até o curso d’água, aparecerão as divisas laterais dos lotes retangulares postos à venda, redefinindo a paisagem do território em ocupação". 3. Quanto à hierarquia dos assentamentos e espaçamento entre os mesmos Diretrizes na constituição da rede de cidades: “Cidades destinadas a se tornarem núcleos de maior importância seriam demarcadas de cem em cem quilômetros, aproximadamente. Entre estas, distanciados de 10 a 15 quilômetros um do outro, seriam fundados os patrimônios, centros comerciais e abastecedores intermediários.” (CMNP, 1975, p. 76). Entre as quatro grandes cidades, haveria uma série de assentamentos urbanos menores, formada pelas cidades de médio porte e pelos patrimônios que teriam uma distância ideal, de modo a facilitar a vida nas propriedades rurais das proximidades, permitindo o deslocamento a pé até com distâncias de cinco a nove quilômetros, no máximo. Londrina e Cambé distavam 13 quilômetros; Cambé e Rolândia, 10; Rolândia e Arapongas, 12; Arapongas e Aricanduva, 9; Aricanduva e Apucarana, 8; Apucarana e Pirapó, 7; Pirapó e Cambira, 7; Cambira e Jandaia do Sul, 5; Jandaia do Sul e Mandaguari, 10; Mandaguari e Marialva, 15; Marialva e Sarandi, 10; Sarandi e Maringá, 7; Maringá e Paiçandu, 15; Paiçandu e Água Boa, 15, e assim sucessivamente até Cianorte. 4. Quanto à previsão da população As maiores cidades foram originalmente planejadas para terem, aproximadamente, 100.000 habitantes, enquanto as cidades menores teriam cerca de 20.000 e os patrimônios não mais de 10.000 residentes. 5. Quanto à propriedade De acordo com o planejamento, a venda de propriedades rurais era atrelada ao comércio de lotes urbanos. Pelas normas do empreendimento, os compradores de propriedades rurais também deveriam adquirir um lote na cidade ou no patrimônio. Havia ainda a obrigatoriedade de edificar-se esse lote urbano em um curto prazo para que as cidades pudessem ser ocupadas mais rapidamente, mostrando-se como atrativo para novos clientes, e pudessem ainda desempenhar, efetivamente, seu papel econômico, dando sustentação à vida na região. Nesse sentido, a nova paisagem criada pela companhia era resultado de um pensamento racional e prático, estrategicamente bem definido. 6. Quanto à forma urbana O padrão geral da forma urbana estava condicionado a uma prática: sua adaptação ao meio natural suporte. Com isso, os assentamentos urbanos da companhia – cidades grandes, médias ou patrimônios – moldavam-se ao sítio escolhido e, sem romper o padrão geral, assumiam as particularidades topográficas de modo a criar traçados peculiares, resultantes de suas circunstâncias geográficas. Esse esquema foi seguido sempre que a topografia o permitiu. Nesses casos surgiram conformações regulares, geometrizadas e simétricas, com centros bem definidos e organização mais ou menos simétrica dos edifícios institucionais. Os projetos da companhia entendiam como cidades aqueles assentamentos que continham mais de 100 quadras (Cambe, 100; Rolândia, 122; Arapongas, 168; Apucarana, 144; Jandaia do Sul, 116; e Mandaguari, 161) e patrimônios os quais continham um número inferior de quadras (Marialva, 93; Sarandi, 40; Jussara, 90; e Paiçandu, 44). 7. Quanto ao detalhamento e execução do projeto urbanístico Estava a cargo do departamento técnico da companhia diversas tarefas: “O engenheiro Nivaldo Gandra chefiou, durante alguns anos, o departamento técnico da Companhia na cidade de Mandaguari, ex-Lovat, de onde comandava inclusive os volumosos serviços de topografia, contando com a colaboração do engenheiro Waldomiro Babkov” (res- ponsável pelo projeto de Umuarama).Os dois engenheiros, mesmo sem a formação específica de urbanistas, desempenha- ram este papel com habilidade, “demarcando lotes, projetando estradas, traçando cidades” (COMPANHIA, 1975, p. 139).Ainda que “situados em pleno sertão, o projeto e a construção de quase todos (os núcleos habitacionais) foram minuciosamente detalhados, com observância da técnica e da arte do urbanismo, para que se tornassem metrópoles modelares” (CMNP, 1975, p. 252). (Rego & Meneguetti,2008)

Implementação

Atores

Companhia de Terras Norte do Paraná

Outro

Companhia Melhoramentos Norte do Paraná

Outro

Governança

A rede de cidades planejadas no norte do Paraná, chamadas por REGO (2006) de cidades plantadas, foi desenvolvida por meio de empreendimento privado, sem a participação do governo. O empreendimento foi idealizado e desenvolvido até 1944 por uma subsidiária da empresa inglesa Brazil Plantation Syndicate Limited, a Companhia de Terras Norte do Paraná. Após a saída dos ingleses, o empreendimento foi assumido por acionistas paulistas que em 1951 mudou o nome da empresa para Companhia Melhoramentos Norte do Paraná.

Público-alvo

Agricultores e imigrantes interessados em participar do processo de colonização do noroeste do Paraná.

Elementos de Replicabilidade

O método utilizado no planejamento da rede de cidades no norte do Paraná pode e deve ser amplamente replicado.

O sistema ferroviário nacional deve ser retomado atingindo não somente o transporte de carga, mas também de passageiros.

O planejamento integrado em núcleos interligados por rodovias depende de políticas públicas que preservem o caráter local dos povoados atravessados.