Estudos
Rede de cidades no norte do Paraná - Brasil
Mobilidade
Planejamento integrado de núcleos urbanos interligados por rodovias
Brasil
Paraná(PR)
Este estudo de caso tem como fonte principal o trabalho desenvolvido por Renato Rego e Karin Meneguetti (2008) sobre a rede de cidades no norte do Paraná. A solução trata portanto, de acordo com os autores, de um modelo de ocupação favorável à sustentabilidade na escala territorial, intermediária e local. Interessa como estudo de caso portanto a formação dessa rede urbana e os projetos das cidades novas, pautados por dois critérios gerais: situação do núcleo urbano ao longo do espigão e posicionamento unilateral junto à linha férrea recém-construída. Assim como os elementos básicos de configuração capazes de definir uma particular relação com o sítio natural e estabelecer um sistema integrado entre assentamentos vizinhos.Conforme o plano, “Para formar o Norte Novo e Novíssimo foram idealizados quatro núcleos habitacionais, fundados sucessivamente, distanciados entre si de aproximadamente cem quilômetros e destinados às grandes cidades do Norte e do Oeste do Paraná: Londrina (1930/1934), Maringá (1947/1951), Cianorte (1953/1955) e Umuarama (1955/1960)” (CMNP, 1975, p. 252). Entre as quatro grandes cidades, cidades de médio porte e pelos patrimônios teriam uma distância ideal, de modo a facilitar a vida nas propriedades rurais das proximidades, permitindo que o morador da área rural pudesse, eventualmente, deslocar-se a pé até eles com uma caminhada de cinco a nove quilômetros, no máximo.Essa ligação entre os assentamentos da companhia beneficia a relação cidade-campo. Com tal proximidade, os recursos, os serviços e as oportunidades sociais da cidade se acercam da terra ociosa, das oportunidades financeiras, do trabalho e da vida no campo. As cidades menores gravitam em torno das cidades maiores: os patrimônios se apoiam nas cidades médias que, por sua vez, amparam-se nas quatro grandes cidades. Lembremos que a companhia classificava seus assentamentos em patrimônios ou cidades, de acordo com o número de quadras. As quatro grandes cidades – Londrina, Maringá, Cianorte e Umuarama – tiveram projetos especiais e desempenharam papel fundamental no planejamento regional seguido pela empresa. Exceto Londrina, que teve um desenho modesto, pois inaugurava um empreendimento bastante ambicioso. Um esquema semelhante – um conjunto de cidades servido pela via férrea, com paradas espaçadas – era a base da organização do subúrbio inglês, nos começos do século XX, como conta Mumford (2004), e havia sido proposto por Howard (2002) como alternativa para o desenvolvimento de seu projeto da cidade-jardim inglesa. É o que ele chamara de cidades sociais – as quais mais tarde se convencionou como “cidades regionais”: uma combinação de recursos e facilidades que só a densa ocupação tornaria possível e que, no caso, seria conquistada pela densa organização, graças ao transporte e à comunicação direta entre cidades interligadas. (Rego & Meneguetti,2008)
Custo para Implementação
Informação não disponível
Vendas diretas vinculando a compra de terrenos rurais a lotes urbanos para estimular o rápido desenvolvimento dos núcleos urbanos.
Desafios
-
A ocupação em apenas uma das laterais do eixo principal de deslocamento deve preservar o ambiente construído do impacto das vias férreas ou de trânsito rodado.
-
O posicionamento das ocupações sobre uma das laterais da ferrovia resultou em um fator benéfico à consolidação de núcleos urbanos livres de atravessamentos significativos, favorecendo o trânsito de modais.
-
O planejamento idealizado pela Companhia de Terras Norte do Paraná previu uma integração entre o meio urbano e o meio rural que favoreceu a preservação dos traços culturais da região associados à vida no campo. Dessa forma as primeiras edificações mantiveram as técnicas tradicionais, com muitas casas feitas em madeira.
-
O projeto previa como linha dorsal de sua estrutura uma ferrovia para o transporte de carga e passageiros, reforçando um modelo de transporte ecologicamente mais sustentável do que o rodoviário.
-
A previsão da colonização do norte do Paraná por meio de núcleos urbanos integrados à atividade agrícola vigente na região favoreceu a sustentabilidade econômica e social à população dos núcleos emergentes.
-
O planejamento em escala territorial permitiu estabelecer ocupações integradas ao ecossistema da região.
Contexto
Subsidiária da companhia inglesa Brazil Plantation Syndicate Limited, a Companhia de Terras Norte do Paraná foi responsável por um grande empreendimento de colonização e desenvolvimento urbano no norte do estado do Paraná na primeira metade do século XX. Esse empreendimento tinha como objetivo a venda de glebas rurais destinadas, sobretudo, ao plantio de café. As terras adquiridas pela Companhia junto do governo do estado, a colonizadoras e a posseiros, ultrapassavam os 546.078 alqueires paulistas, localizados junto da bacia do rio Paranapanema entre os vales dos rios Tibagi e Ivaí. O solo fértil oferecia perspectivas promissoras às pessoas interessadas na cafeicultura.Entretanto, o sucesso da atividade comercial da companhia, assim como o da emergente atividade agrícola, dependia das facilidades que a região podia oferecer – mais precisamente da construção de uma ferrovia e da implantação de cidades para apoiar a atividade agrícola. De acordo com seu plano geral de ocupação da região, a companhia foi responsável pelo desenho de uma rede de cidades novas, criadas entre os anos 1930 e 1960, que compunham a estrutura do plano de desenvolvimento regional e tinham um duplo papel: ser o lugar dos serviços urbanos e o centro comercial para os negócios da região.Em 1944 os ingleses deixaram a empresa, e a Companhia de Terras Norte do Paraná passou ao controle de um grupo brasileiro de acionistas. A partir de 1951 passou a denominar-se Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Seguindo o plano geral traçado pelos ingleses, a companhia foi fundando cidades, uma rede delas que se estendeu, no tempo e no espaço, de Londrina (a primeira delas, oficialmente datada de 1932) a Umuarama (1955) – a mais distante – e Paiçandu (1960), o último assentamento criado pela empresa. Foram implantados pela companhia 62 núcleos urbanos, sendo 9 patrimônios, 18 distritos, 23 sedes de município e 12 sedes de município com sedes de comarca, afora outros 48 núcleos urbanos implantados por particulares nas terras da companhia. (Rego & Meneguetti,2008)
Compartilhe: